sábado, 29 de dezembro de 2012

BASTA DE CRISTÃOS SEM FÉ: As chagas abertas pela divisão dos cristãos


“Por isso pedimos perdão a Deus e aos irmãos separados,

assim como também nós perdoamos aos que nos têm ofendido”

(Unitatis Redintegratio,7)

 Para nós cristãos, na chegada da Semana Santa, onde é comum a exibição de filmes sobre a vida de Jesus Cristo e a sua Paixão, nos comove e emociona os suplícios, dores e tormentos do Filho de Deus. Não há no mundo algo tão impactante quanto a flagelação, caminho ao Monte Calvário (com suas quedas), a crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Tomé obteve a graça de tocar no lado aberto pela lança romana (Jo 20,27-28), porém, essas chagas no preciosíssimo corpo de Nosso Senhor hoje se fazem visíveis de uma forma também triste, a divisão dos cristãos. Ora, se cada pessoa, é membro do Corpo de Cristo Místico que é a Igreja, e recebe dons do Espírito para edificá-la (Rm 12,4-6; 1Cor 12,12-30; Ef 4,12-14), os cismas e divisões dos cristãos são a mutilação do Corpo de Cristo.


Cristo ainda é flagelado. As mãos do soldado romano ainda ferem o corpo de Nosso Senhor. Se não bastasse os ferimentos ‘externos’ do corpo de Cristo, ousamos nós, abrir dentro da própria Igreja – que é o Corpo de Cristo- nova chagas, estas chagas não foram abertas por pagãos e seus instrumentos de tortura. Essas chagas foram abertas por nós mesmos, cristãos batizados, que pela não vivência do Batismo e ideologias pessoais afastamos nossos irmãos menos enraizados na fé e promovemos a divisão dentro da própria Igreja.


Não podemos mais permitir que Jesus Cristo, Nosso Redentor, seja mais e mais mutilado. É hora de voltarmos nossos olhos para os primeiros cristãos.


Giorgio Vasari, Martirio de Santo Estevão, 1571

















Olhemos aqueles que morreram por Cristo e pela Igreja. Homens e mulheres de todas as idades e classes sociais. Olhemos nossos pais na fé: São Policarpo na fogueira, Santo Inácio de Antioquia morto no Coliseu por leões, São Basílio que foi totalmente descarnado, Santo Estevão que foi apedrejado... e muitos outros que receberam a coroa do martírio. Esse nossos irmãos tiveram seus corpos destruídos, mas com sua fidelidade e fé não desferiram um só golpe ao Corpo de Cristo.


Se o maior mandamento de Deus é o amor (Mt 22,36-40), como o podemos cumprir se não estamos unidos? Santo Afonso Maria de Ligório é contundente: “O amor exige união”. Há muitos fatores que levam a desunião dos cristãos. Sem dúvida a ação diabólica é um deles, porém, não é totalmente responsável. Se hoje há tanta divisão, isso se deve a cristãos que não viveram ou não vivem os compromissos de seu Batismo e vocação. Santo Agostinho também nos lembra que “a partir das próprias obras canônicas – nas quais tudo foi dito com maior a maior sabedoria – muitos desenvolveram doutrinas perigosas, quebrando a unidade da nossa fé”.


Para essas “ovelhas desgarradas” Cristo chama pastores, para trazê-las junto a Ele que é o Bom Pastor. O Bom Pastor mesmo sendo ferido por seu próprio rebanho doa sua vida por Ele (Jo 10,11).


A Igreja necessita de jovens que aceitem com a santidade de sua vida reconstituir o Corpo de Cristo e os seus membros. É a vós caríssimos irmãos e irmãs, que eventualmente estejam lendo este texto, e estejam afastados da Igreja, que convido a buscar aquilo que o Santo Padre deseja para este Ano da Fé, que aprofundemo-nos nas coisas de Deus e da Igreja.(Porta fidei,8). Basta de cristãos sem fé e desunidos! É hora de conversão.

A preocupação de realizar a união diz respeito à Igreja inteira, fiéis e pastores. Mas é preciso também ter consciência que esse ministério sagrado, a reconciliação de todos os cristãos na unidade de um só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e as capacidades humanas. Por isso depositamos toda a nossa esperança na oração de Cristo pela Igreja no amor do Pai por todos nós e no poder do Espírito Santo (CIC 822).


Seminarista Bruno de Jesus Roberto
Seminário Propedêutico São José -  Londrina 

Jesus no Litoral Paraná

Para nós de Londrina é uma grande alegria, temos lá no Jesus no Litoral padre Marcelo Gomes, pároco da Paróquia São Lourenço, zona sul de Londrina com um grupo de jovens aqui de nossa cidade. Louvado seja Deus por estes missionários... Para estar por dentro de tudo o que rola no Jesus no Litoral parana acessem http://www.rccjovem.com.br/pt/parana








Jesus no Litoral


Maranhão e Paraná são palco para projeto Jesus no Litoral

A virada do ano chegará nos litorais maranhense e paranaense com ardor missionário e evangelizador, levado pelos jovens carismáticos através do projeto Jesus no Litoral. A missão tem como finalidade promover a transformação social, humana e espiritual por meio do anúncio do Querigma nas praias e outros locais pré-definidos.
No estado pioneiro do projeto, Paraná, o evento está em sua 10ª edição e contará com a presença da Cruz Peregrina da JMJ e do ícone de Nossa Senhora, na cidade de Matinhos, entre os dias 29 e 30 de dezembro. A missão iniciou na manhã da quarta-feira (26), com a acolhida de cerca de 500 jovens das 18 dioceses do estado que estão envolvidos nos dias de evangelização. O Jesus no Litoral paranaense atrai turistas de toda região, que se envolvem com as atividades artísticas e esportivas focadas na evangelização. A edição paranaense vai até o dia 5.
No Maranhão, esta é a terceira edição do projeto, que se realiza entre os dias 28 de dezembro e 1 de janeiro. Oficinas de comunicação foram ministradas para os missionários, momentos estes de suma importância, segundo a coordenadora estadual do Ministério de Comunicação, Virgínia Diniz: "O projeto Jesus no Litoral tem a característica de poder navegar em duas águas: a virtual e a dos litorais. Na edição de 2012, o Maranhão quer lançar às redes sociais as sementes plantadas no estado, coisa que até então, temos tido dificuldade", ressalta.
A iniciativa e o êxito deste projeto idealizado no Paraná levou o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, a convidar a equipe para realizar a atividade como uma preparação para a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá na cidade em julho de 2013.
Além de Maranhão e Paraná, outros estados brasileiros abraçaram o projeto. Veja as datas de realização:
Rio Grande do Sul: De 2 à 10 de janeiro
Piauí: De 3 à 6 de janeiro
São Paulo: De 3 à 12 de janeiro
Espírito Santo: De 7 à 13 e 17 à 20 de janeiro
Bahia: De 9 à 13 de janeiro
Ceará: De 16 à 20 de janeiro
Paraíba: De 21 à 25 de janeiro
Rio de Janeiro: com data a definir.
Fonte: http://www.rccbrasil.org.br/projetos/index.php/artigos/265-maranhao-e-parana-viram-palco-para-jesus-no-litoral-

Pra Cantar e Refletir... Posso Confiar - Banda Bom Pastor

Posso confiar, posso confiar, tudo está em tuas mãos Senhor, como posso ainda me abalar se minha vida em ti está!

Rezemos ao Senhor nesse dia, e nos coloquemos em suas mãos sempre.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Creio em Deus Pai todo poderoso, criador do céu e da terra - Parte 1


            
           Esta é a mais importante afirmação que precisamos fazer em relação a Deus. Esta é a fonte de todas as outras verdades sobre o homem e sobre o mundo. Uma afirmação muito importante principalmente para aquele que crê na existência de Deus. É por isso que a “Profissão de fé” inicia com esta frase. Quantos hoje já não creem mais ou ignoram por completo tudo isso.
            O próprio Deus se revelou ao povo de Israel como Único. Em Deuteronômio 6,4 Deus, através de Moisés diz: Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”. O próprio Jesus Cristo o confirmou como único Deus (cf. Mc 12, 29). Deus se revela a Moisés como o Deus vivo, “o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó” (cf. Ex 3,6). Ele está presente em todas as gerações, ele está no princípio de nossa história. Ao mesmo Moisés Deus revela seu nome, que é misterioso, ele diz: “Eu sou Aquele que Sou...” (Ex 3,14). Deus ao revelar seu nome nos faz conhecer o seu mistério inefável. Pois bem, Deus é o que é, ele está perto de seu povo para o salvar, ele é o santo por excelência, é um ser espiritual, transcendente, onipotente, eterno, pessoal, perfeito. Enfim, como já vimos antes não temos palavras humana o suficiente para descrever aquele que Deus é.
            O CIC nos ensina, Deus é a própria Verdade e como tal não se engana e não pode nos enganar. Jesus deu testemunho do Pai. Deus se revela como aquele que tem um amor muito forte, maior que do pai e da mãe pelo filho, do esposo para com a esposa, ele é o próprio Amor (cf. Jo 4, 8.16) que se doa completa e gratuitamente. Enviando o Espírito Santo e seu filho, Deus revela que ele próprio é eterna troca de amor. A palavra nos diz que Deus amou tanto o mundo que deu seu filho único para que todo o que nele crer seja salvo por ele (cf. Jo 3, 16-17).
            Crer em Deus pai todo poderoso, comporta conhecer a sua grandeza e majestade; viver em ação de graças; confiar sempre nele, acreditar que ele pode fazer tudo para nos ajudar, mesmo nos problemas, nas dificuldades. É preciso que conheçamos a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens, criados a imagem de Deus. Precisamos tirar o “temor” enganoso que o encardido coloca em nosso coração e deixar apenas o “Temor” dado pelo Espírito Santo. Precisamos aprender a utilizar corretamente as coisas criadas por Deus para o nosso bem e não mal.

É preciso falar com todo nosso coração: “CREIO EM DEUS PAI TODO-PODEROSO, CRIADOR DO CEÚ E DA TERRA”. Esta é uma oração para nos livrar de todos os males.

Um bom dia e paz de Cristo.


Renato Aparecido Ferraz Pelisson

Pra Cantar e Refletir... Anjo Guardão - Banda Canal da Graça

Precisamos ser anjos na vida de nossos irmãos, rezemos junto com esta canção...


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Os Símbolos da fé


Retornamos com os nossos estudos baseado no CCIC – Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.  São estudo simples, mas que nos ajudam a compreender um pouco mais a nossa fé. Agora estamos na segunda seção onde estudaremos os Símbolos da fé, vamos ver parte por parte, vamos começar perguntando: 

O que são os Símbolos da fé?

            Estes símbolos é aquilo que chamamos de “Profissão de fé ou Credo” em nossa liturgia. São textos práticos que resumem a fé de sempre da igreja. É uma forma que a igreja achou para transmitir a nossa fé de forma que todos pudessem entender. Para nós o mais importante símbolo é o Symbolum Apostolorum - Símbolo dos Apóstolos - que é o mais antigo símbolo batismal da igreja de Roma e o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. O Símbolo dos Apóstolos remonta ainda os primeiros apóstolos da igreja, mas com o passar do tempo muitas haeresis – heresias – começaram a surgir. Então com o Concílio Ecumênico de Nicéia (325) e o de Constantinopla (381), nasceu de forma mais completa o credo Niceno-Constantinopolitano. Ainda hoje rezamos estes símbolos, tanto no Ocidente como no Oriente.
            Não podemos nos esquecer de que o para Bento XVI em sua carta apostólica Porta Fidei nos pediu que rezássemos esses símbolos com toda devoção, ali esta o resumo daquilo que a igreja sempre acreditou e podemos ter a certeza de que estaremos sendo fiéis ao próprio Cristo.

Até a próxima...

OBS: Aconselho conhecer um pouco o Concílio de Nicéia e Constantinopla, procure na internet que tem muitas informações e vejam porque de ter surgido estes símbolos na igreja.

Renato Aparecido Ferraz Pelisson


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Ícone com os Pais Sagrados do Primeiro Concílio de Niceia que seguram o Credo Niceno-Constantinopolitano

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Um feliz Natal

Gostaríamos de desejar um feliz Natal a todos que nos acompanham. Que Cristo possa nascer um cada um dos corações. 

Que nós deixemos esse menino nascer e transformar nossa vida e nossa família. 

Que pelas mãos de Nossa Senhora, ela que disse o primeiro sim, possa trazer este cristo em nosso coração.

Não tenhamos medo de Jesus, ele vem para nos mostrar que caminhos devemos seguir.

UM FELIZ NATAL!!!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Ano da Fé e o catecismo da Igreja Católica


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Na pregação para a Casa Pontifícia, tento me orientar, na escolha dos temas, pelas graças ou pelos eventos especiais que a Igreja vive em um determinado momento da sua história. Recentemente tivemos a abertura do ano da fé, o quinquagésimo aniversário do Concílio Vaticano II e o Sínodo sobre a evangelização e a transmissão da fé cristã. Portanto, pensei fazer no Advento uma reflexão sobre cada um destes três eventos.

Começo com o ano da fé. Para não me perder em um tema, a fé, que é grande como o mar, concentro-me em um ponto da carta "Porta Fidei" do Santo Padre, que exorta encarecidamente a fazer do Catecismo da Igreja Católica (que, entre outras coisas, celebra este ano o vigésimo aniversário de publicação) o instrumento privilegiado para viver frutuosamente a graça deste ano. O papa escreve na sua carta:

“O Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de fato, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé” (Bento XVI, Carta apost. “Porta fidei”, nº 11)

Não falarei sobre o conteúdo do CIC, das suas divisões, critérios utilizados; seria como querer explicar a Divina Comédia de Dante Alighieri. O que sim gostaria é de esforça-me para mostrar como  fazer que este livro, de um instrumento comum, como um violino bem apoiado sobre um pano de veludo, se transforme num instrumento que soa e faz vibrar os corações. A Paixão segundo Mateus, de Bach, permaneceu por um século uma partitura escrita, conservada em arquivos musicais, até que em 1829 Felix Mendelssohn preparou em Berlim uma execução magistral e a partir daquele dia o mundo soube qual melodia e coro sublimes estavam contidas naquelas páginas, até então mudas.

São realidades diferentes, é verdade, mas algo parecido acontece com cada livro que fala da fé, incluindo o CIC: deve-se passar da partitura para a execução, da página muda para algo vivo que faz vibrar a alma. A visão de Ezequiel da mão estendida segurando um rolo nos ajuda a entender o que é necessário para que isso aconteça:

“Eu olhei e vi uma mão estendida para mim, e nela um livro enrolado. Desenrolou-o diante de mim. Estava escrito na frente e no verso e continha lamentações, gemidos e ais. Ele me disse: “Filho do homem, come o que tens diante de ti! Come este rolo e vai falar à casa de Israel”. Eu abri a boca e ele me fez comer o rolo, dizendo: “Filho do homem, alimenta teu ventre e sacia as entranhas com este rolo que te dou”. Eu o comi, e era doce como mel em minha boca” (Ez 2,9-3,3)

O Sumo Pontífice é a mão que, neste ano, apresenta de novo à Igreja o CIC, dizendo para cada católico: “alimenta teu ventre e sacia as entranhas com este rolo que te dou”. O que significa comer um livro? Não só estudá-lo, analisá-lo, memorizá-lo, mas fazê-lo carne da própria carne e sangue do próprio sangue, “assimilá-lo”, como se faz materialmente com a comida que comemos. Transformá-lo de fé estudada em fé vivida.

Isto não pode ser feito com o volume inteiro do livro, e com todas as pequenas partes contidas nele. Não é possível fazê-lo analiticamente, mas só sinteticamente. Explico-me. É necessário captar o princípio que informa e unifica o todo, enfim o coração palpitante do CIC. E o que é esse coração? Não é um dogma ou uma verdade, uma doutrina ou um princípio ético; é uma pessoa: Jesus Cristo! “Repassando as páginas, - escreve o Santo Padre sobre o CIC, na mesma carta apostólica - descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja” (Bento XVI, Carta apost. “Porta fidei”, nº 11).

Se toda a Escritura, como afirma o próprio Jesus, fala dele (cf. Jo 5, 39), se ela está cheia de Cristo e se resume toda nele, poderia ser diferente para o CIC que quer ser uma exposição sistemática da mesma escritura, elaborada pela Tradição, sob a guia do Magistério?

Na primeira parte, dedicada à fé, o CIC lembra o grande princípio de São Tomas de Aquino de que o “ato de fé do crente não para no enunciado, mas chega na realidade” (“Fides non terminatur ad enunciabile sed ad rem”, São Tomas de Aquino, Suma Teológica, II-II, 1,2 ad 2; cit. no CIC n. 170). Bem, qual é a realidade, a “coisa” última da fé? Deus, é claro! Não, porém, um deus qualquer que cada um retrata a seu bel prazer, mas o Deus que se revelou em Cristo, que se “identifica” com ele a ponto de dizer: “Quem me vê, vê o Pai” e “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18).

Quando dizemos fé “em Jesus Cristo” não separamos o Novo do Antigo Testamento, não começamos a nova fé com a vinda de Cristo à terra. Se fosse assim, excluiríamos do número dos crentes o mesmo Abraão que chamamos “nosso pai na fé” (cf. Rm 4, 16). Identificando o seu Pai com “o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó” (Mt 22, 32) e com o Deus "da lei e dos profetas" (Mt 22, 40), Jesus autenticou a fé judaica, mostrou o caráter profético, afirmando que é dele que estavam falando (cf. Lc 24, 27. 44; Jo 5, 46). É isso que faz que, para os cristãos, a fé judaica seja diferente de qualquer outra fé e é isso que justifica o estatuto especial que tem, depois do Concílio Vaticano II, o diálogo com os judeus com relação ao diálogo com as outras religiões.

Querigma e didaquê

No começo da Igreja a distinção entre querigma e  didaquê era clara. O querigma, que Paulo chama também de "o evangelho", dizia respeito à obra de Deus em Cristo Jesus, o mistério pascal de morte e ressurreição, e consistia em fórmulas breves de fé, como aquela que se deduz do discurso de Pedro no dia de Pentecostes: “Vós o matastes, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou, e o constituiu Senhor” (cf. At 2,23-36), ou também, “Se, pois, com tua boca confessares que Jesus é Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”(Rm 10,9).

A didaquê, por outro lado, tratava do ensinamento que se tinha depois de ter abraçado a fé, o desenvolvimento e a formação completa do crente. Estavam convencidos (principalmente Paulo) de que a fé, como tal, só florescia na presença do querigma. Este não era um resumo da fé ou uma parte dela, mas a semente que faz crescer todo o resto. Também os 4 Evangelhos foram escritos depois, justamente para explicar o querigma.

Até mesmo a parte mais antiga do credo falava de Cristo, e esclarecia a dupla composição, humana e divina. Um exemplo disso está no versículo da Carta aos Romanos que fala de Cristo “segundo a carne, descendente de Davi, segundo o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, desde a ressurreição dos mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1,3-4). Logo este núcleo original, ou credo cristológico, foi incorporado em um contexto mais amplo, como o segundo artigo do símbolo de fé. Nascem, até mesmo por exigências ligadas ao batismo, os símbolos trinitários que chegaram até nós.

Esse processo é parte do que Newman chama “o desenvolvimento da doutrina cristã”; é um enriquecimento, não um afastamento da fé original. Cabe a nós hoje – em primeiro lugar aos bispos, aos pregadores, aos catequistas – ressaltar o aspecto “a parte” do querigma como momento germinal da fé. Numa obra lírica, para retomar a imagem musical, há o recitativo e o cantado e no cantado estão os “agudos” que agitam o auditório e provocam emoções fortes, às vezes também calafrios. Agora sabemos qual é o agudo de toda catequese.

A nossa situação voltou a ser a mesma que no tempo dos apóstolos. Eles tinham diante de si um mundo pré-cristão para evangelizar; nós temos diante de nós, pelo menos até certo ponto, e em alguns ambientes, um mundo pós-cristão para evangelizar. Devemos voltar para o método deles, trazer à luz "a espada do Espírito", que é o anúncio, em Espírito e poder, de Cristo morto pelos nossos pecados e ressuscitado para a nossa justificação (cf. Rm 4,25).

O querigma não é apenas o anúncio de alguns fatos ou verdades de fé claramente definidas; é também uma certa atmosfera espiritual que pode ser criada dizendo qualquer coisa, um pano de fundo sobre o qual coloca-se tudo. É responsabilidade do anunciador, por meio da sua fé, permitir ao Espírito Santo criar esta atmosfera.

Então, qual é o sentido do CIC? O mesmo do que era na Igreja apostólica a didaquê: formar a fé, dar-lhe um conteúdo, mostrar-lhe as exigências éticas e práticas, levar a fé a se tornar “operante na caridade” (cf. Gl 5,6). Isso é bem destacado em um parágrafo do mesmo CIC. Depois de ter lembrado o princípio tomista de que “a fé não termina nas fórmulas, mas na realidade”, acrescenta:

“ No entanto, é através das fórmulas da fé que nos aproximamos dessas realidades. As fórmulas permitem-nos exprimir e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e dela viver cada vez mais” (CIC nº 170).

Por isso a importância do adjetivo “católica” no  título do livro. A força de algumas Igrejas não católicas está em colocar tudo no momento inicial, na chegada na fé, na adesão ao querigma e na aceitação de Jesus como Senhor, visto como um"nascer de novo”, ou como “segunda conversão". Porém, pode tornar-se um limite se nos limitamos a isso e tudo continua a girar em torno disso.

Nós, católicos, temos que aprender algo dessas igrejas, mas temos muito para dar também. Na Igreja Católica tudo isso é o começo, não o fim da vida cristã. Depois daquela decisão, abre-se o caminho para o crescimento e a plenitude da vida cristã e, graças à sua riqueza sacramental, ao magistério, ao exemplo de muitos santos, a Igreja Católica está em uma posição privilegiada para conduzir os fiéis à perfeição da vida de fé. O Papa escreve na carta "Porta Fidei":

“Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé” (Bento XVI, Carta apost. “Porta fidei”, nº 11).

A unção da fé

Falei do querigma como do “agudo” da catequese. Mas para produzir este agudo não basta levantar o tom da voz, se precisa mais do que isso.

“Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! [esta é, por excelência, a nota aguda!] a não ser no Espírito Santo" (1 Coríntios 12, 3). O evangelista João faz uma aplicação do tema da unção que se mostra especialmente atual neste ano da fé. Escreve:

“Vós recebestes a unção do Santo, e todos vós tendes conhecimento [...] a unção que recebestes de Jesus permanece convosco, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. A sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa. Por isso, conforme vos ensinou, permanecei nele” (1 Jo 2, 20.27).

O autor desta unção é o Espírito Santo, como deduzido do fato de que em outros lugares a função de "ensinar todas as coisas" é atribuída ao Paráclito como "Espírito de verdade" (Jo 14, 26). É, como vários Padres escrevem, uma “unção da fé”: “A unção que vem do Santo – escreve Clemente de Alexandria – se realiza na fé”; “A unção é a fé em Cristo”, diz outro escritor da mesma escola (Clemente Al. Adumbrationes in 1 Johannis (PG 9, 737B); Homélies paschales (SCh 36, p.40): textos citados por I. de la Potterie, L’unzione del cristiano con la fede, in Biblica 40, 1959, 12-69).

Em seu comentário, Agostinho faz, a este respeito, uma pergunta para o evangelista. Porque, diz ele, escreveste a tua carta, se aqueles aos quais te dirigias, já tinham recebido a unção que ensina todas as coisas e não tinham necessidade de que alguém lhes instruísse? E aqui está a sua resposta, baseada no tema do mestre interior:

"O som das nossas palavras atinge o ouvido, mas o verdadeiro mestre está dentro [...] falei a todos, mas àqueles aos quais a unção não fala, aqueles que o Espírito não ensina internamente, vão embora sem terem aprendido nada [...]. O mestre é, portanto, interior o mestre que realmente instrui; é Cristo, é a sua inspiração para ensinar". (S. Agostinho, Commento alla Prima Lettera di Giovanni 3,13  (PL  35, 2004 s), Tradução nossa).

Portanto, a instrução exterior é necessária. Os mestres são necessários. Mas as suas vozes só penetram o coração se adicionada aquela interior do Espírito. “E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem" (At 5,32). Com estas palavras, pronunciadas diante do Sinédrio, o Apóstolo Pedro não só afirma a necessidade do testemunho interior do Espírito, mas também indica qual é a condição para recebê-la: a disponibilidade para obedecer, para submeter-se à Palavra.

É a unção do Espírito que faz passar dos enunciados de fé à sua realidade. Um tema caro ao evangelista João é aquele do crer que é também conhecer: “E nós, que cremos, reconhecemos o amor que Deus tem para conosco” (1 Jo 4,16). "Nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus" (Jo 6, 69). "Conhecer", neste caso, como no geral em toda a Escritura, não significa o que significa para nós hoje, ou seja, ter a ideia ou o conceito de uma coisa. Significa experimentar, entrar em relação com a coisa ou com a pessoa. (Cf. C.H. Dodd, L’interpretazione del Quarto Vangelo, Brescia, Paideia1974, pp. 195 s.). A afirmação da Virgem: "Não conheço homem", não queria dizer que não sabia o que era um homem...

Foi um caso de evidente unção da fé aquele que Pascal experimentou na noite do dia 23 de novembro de 1654 e que colocou em breves frases exclamativas em um escrito encontrado depois da morte costurado dentro de sua jaqueta:

"Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos e dos estudiosos. Certeza. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz. Deus de Jesus Cristo [...]. Ele é encontrado somente pelo caminho do Evangelho. [...]. Alegria, alegria. Alegria, lágrimas de alegria. [...] E isso é a vida eterna, que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro e aquele que enviaste: Jesus Cristo"( B. Pascal, Memoriale, ed. Brunschvicg. Tradução nossa).

A unção da fé acontece geralmente quando, em uma palavra de Deus ou em uma afirmação de fé, cai subitamente a iluminação do Espírito Santo, acompanhada normalmente por uma forte emoção. Lembro-me que um ano, na festa de Cristo Rei, escutava na primeira leitura da Missa a profecia de Daniel sobre o Filho do Homem:

" Em imagens noturnas tive esta visão: Entre as nuvens do céu vinha alguém semelhante a um filho do homem. Chegou até perto do ancião, e foi levado à sua presença. Foi-lhe dada a soberania, a glória e a realeza. Todos os povos, nações e línguas hão de servir-lhe. Seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado e sua realeza é tal, que jamais será destruída!” (Dn 7,13-14).

Sabe-se que o Novo Testamento viu realizada a profecia de Daniel em Jesus; ele mesmo diante do sinédrio a faz própria (cf. Mt 26, 64); uma frase do texto entrou até mesmo no credo (“cuis regnum non erit finis”). Eu sabia, pelos meus estudos, tudo isso, mas naquele momento era uma outra coisa. Era como se a cena acontecesse ali, diante dos meus olhos. Sim, aquele filho do homem que avançava era ele, Jesus. Todas as dúvidas e explicações alternativas dos estudiosos, que também conhecia, pareciam-me, naquele momento, simples pretextos para não crer. Experimentava, sem saber, a unção da fé.

Em outra ocasião (acho que já compartilhei essa experiência no passado, mas que ajuda a entender) participava da Missa de Meia Noite presidida pelo Papa João Paulo II em São Pedro. Chegou a hora do canto da Kalenda, ou seja, a proclamação solene do nascimento do Salvador, presente no antigo Martirológio e reintroduzida na liturgia do Natal depois do Vaticano II:

"Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo...

Treze séculos depois da saída de Israel do Egito...

Na nonagésima quarta Olimpíada...

No ano 752 da fundação de Roma...

No quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto,

Jesus Cristo Deus eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses nasceu da Virgem Maria em Belém de Judá".

Quando cheguei nessas últimas palavras senti uma repentina clareza interior, e me lembro que dizia para mim mesmo: “É verdade! Tudo isso que se canta é verdade! Não são só palavras. O eterno entra no tempo. O último evento da série rompeu a série; criou um "antes" e um "depois" irreversíveis; o cálculo do tempo que antes acontecia com relação a diferentes eventos (Olimpíada tal, reino tal), agora acontece com relação a um único evento”: antes dele, depois dele. Uma comoção súbita me atravessou toda a pessoa, enquanto podia somente dizer: “Obrigado, Santíssima Trindade, e obrigado também a vós, Santa Mãe de Deus!”.

A unção do Espírito Santo também produz um efeito, por assim dizer, "colateral" no anunciador: faz que ele experimente a alegria de proclamar Jesus e o seu Evangelho. Transforma a evangelização de tarefa e dever, numa honra e num motivo de orgulho. É a alegria que conhece bem o mensageiro que chega a uma cidade sitiada dizendo que sítio foi tirado. Ou o aralto que na antiguidade corria na frente para levar ao povo o anúncio de uma vitória decisiva obtida no campo do próprio exército. A “boa notícia”, antes mesmo de quem a recebe, faz feliz quem a traz.

A visão de Ezequiel, do rolo comido, realizou-se uma vez na história em sentido também literal e não apenas metafórico. Foi quando o livro das palavras de Deus esteve contido em uma única Palavra, o Verbo. O Pai o levou à Maria; Maria o acolheu, encheu, também fisicamente, as vísceras, e depois o deu ao mundo, o “pronunciou” dando-lhe a luz. Ela é o modelo de todo evangelizador e de todo catequista. Nos ensina a encher-nos de Jesus para dá-lo aos outros. Maria concebeu Jesus “por obra do Espírito Santo” e assim deve ser também com cada anunciador.

O Santo Padre conclui sua carta de convocação do ano da fé com uma referência à Virgem: "Confiamos, escreve, à Mãe de Deus, proclamada “beata” porque “acreditou” (Lc 1, 45), este tempo de graça" (“Porta fidei”, nº 15.). Peçamos a Ela a graça de experimentar, neste ano, muitos momentos de unção da fé. "Virgo fidelis, ora pro nobis”. Virgem fiel, rogai por nós.

Primeira Pregação do Advento 2012 do Padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap
Fonte: Zenit.org

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Advento: Quais caminhos querem seguir?


Estamos vivendo o tempo do advento, tempo de preparação para a chegada de Cristo que vem. Neste tempo a igreja nos recorda que há ainda uma última promessa a ser cumprida, por isso nos convida a fazer um caminho.
Sabemos, através do Catecismo da Igreja Católica, que todas as promessas de Deus ao seu povo foi cumprida. Jesus é a plenitude dessas promessas, ele é a realização de tudo aquilo que Deus havia dito. Após o envio do Espírito Santo a única promessa que falta ser cumprida é a sua vinda no final do tempo. Nas duas primeiras semanas a liturgia nos convidava a vigiar e esperar por este Cristo que vem. Agora de duas semanas para cá meditamos as expectativa dos profetas e Nossa Senhora, nos preparamos mais para a chegada do menino que irá nascer em Belém. Os profetas o anunciaram com toda riqueza de detalhes e nossa Senhora o esperou com zelo materno preparando tudo para receber o menino com muito amor e carinho.
No 1º domingo percebemos que, por Jesus Cristo, Adão e Eva foram perdoados, eles morreram na terra, mas viveram em Deus. Assim foi um tempo de arrependermos dos nossos pecados fazendo uma boa confissão. No 2º domingo meditamos a fé dos patriarcas. Pela fé que tinham em Deus eles superaram todos os desafios e tomaram posse da terra prometida. Neste contexto temos que pensar como anda a nossa fé, principalmente neste ano que o papa Bento XVI declarou como ano da fé. “O que temos realizados pela fé?”. No 3º domingo percebemos a alegria do Rei Davi. Este rei reuniu Israel que estava disperso, separado. Ele figura a Cristo que também reunirá todos os povos em um só, sob o seu comando. Neste 4º domingo do advento meditaremos os ensinamentos dos profetas. Todos eles anunciavam um reino de paz, amor, justiça, fraternidade, um reino que todos nós sonhamos. Este reino só é possível em Jesus.
É preciso que nós deixemos Cristo nascer nos corações, viver os seus ensinamentos. Estamos iniciando mais um ano na igreja e fica uma pergunta para cada um de nós: “Nós vamos seguir igual estamos vivendo ou vamos ser melhores do que fomos?”. Li uma frase que me fez meditar bastante: “Não tenho medo que o ano acabe em 2012, mas tenho medo que ele continue igual em 2013”. Não temo que minha vida acabe neste instante, mas temo que ela continue igual. Quero que Cristo esteja presente em cada instante de minha vida, quero que tudo o que fizer seja para a glória de Deus e por ele. Podemos confiar na igreja, neste caminho que ela nos leva, porque é um caminho que nos leva até Cristo. Deus não quer a morte do pecador, mas do pecado, ele quer que nos convertamos e tenhamos vida, e vida em abundância. Mas sabemos que não é um caminho fácil, mas é um caminho que nos dá uma felicidade verdadeira. Vamos trilhar neste caminho, que Cristo através de sua igreja, nos convida a viver. Natal é um tempo favorável de começar novamente. Este é o tempo, o dia da salvação. Que tal trilharmos este caminho? A escolha é tua, mas saiba que você não irá se arrepender.

 VINDE, SENHOR JESUS.



Renato Aparecido Ferraz Pelisson