segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Natal, festa da esperança


Palavra do Bispo Dom Orlando Brandes








Jesus é o profeta da compaixão, o curador dos enfermos, o libertador do pecado, o melhor amigo da vida.

O nascimento de uma criança traz consigo a esperança de que ela possa crescer viver, realizar-se, fazer o bem. O Menino de Belém é nossa esperança. O Documento de Aparecida apresenta dez razões para nossa esperança em Jesus. 


Primeira: diante da vida sem sentido, Jesus oferece a ressurreição e a vida eterna. Ele mesmo se define como ''a vida''. Isso inclui a ''alegria de sentarmos juntos à mesa, de trabalhar para o bem comum, de servir os outros, ter contato com a natureza, viver a sexualidade segundo o Evangelho''. (DAP n-356). 

Segunda: diante do desespero, Jesus oferece o amor trinitário. Jesus mesmo é a visibilidade do amor de Deus pelo mundo. Pessoas não amadas são agressivas, depressivas, possessivas, desconfiadas. Quanto sofrimento. O amor de Deus as faz renascer, curando-as no mais profundo do seu ser. ''Se teu pai e tua mãe te abandonarem, Deus te acolherá'' (Sl 26,10). 

Terceira: diante da idolatria, Jesus oferece o bem supremo que é Deus e o reino de Deus. Hoje, Deus é abandonado e as coisas são divinizadas, absolutizadas, adoradas. Famosas idolatrias são o dinheiro, o divertimento, o prazer, o poder, o saber. Deus virou estorvo, é tido por desnecessário e até inútil. Jesus nos liberta destes enganos e ilusões e oferece valores perenes e inesgotáveis como o perdão, a esperança, a cura, a libertação. 

Quarta: diante do egoísmo, Jesus manda doar a vida. Nosso ego inflado nos faz ter atitudes infantis, agressivas, prepotentes, desumanas. Egoísmo é cegueira. Jesus aponta para a oblação de si, a alteridade, a solidariedade como felicidade, realização e construção da civilização do amor. 

Quinta: diante do isolamento, individualismo, fechamento, Jesus nos convoca à comunhão. O centro é o outro. Amar é esquecer-se de si e elevar outro. Amor é benevolência para com o outro. Jesus ensina a reconciliação e a comunhão como formas sadias de convivência. Daí a importância do diálogo, do perdão, da tolerância, do ecumenismo, da fraternidade. 

Sexta: diante da despersonalização, Jesus ajuda construir identidades, personalidades, personalismo. A dignidade humana não só foi respeitada por Jesus, mas, elevada, enaltecida, glorificada. No homem Jesus temos o paradigma mais perfeito da pessoa. Nele temos o correto rosto de Deus e do homem. Quanto mais nos assemelhamos a Jesus, tanto mais humanos, autênticos, transparentes nos tornamos. 

Sétima: diante da exclusão, Jesus defende os pobres, os pecadores, os doentes os excluídos. ''Todos sois irmãos'' (MT 23,8). O reino de Deus é o reino da inclusão. Jesus é o profeta da compaixão, o curador dos enfermos, o libertador do pecado, o melhor amigo da vida. Ele leva a humanidade olhar para os últimos e pequenos e a construir um mundo mais justo. 

Oitava: diante das estruturas de morte, Jesus morre para salvar nossas vidas. A existência de Jesus consistiu em fazer o bem, dar primado à vida, promover a dignidade humana. Jesus defendeu os direitos humanos. Somos chamados não só a viver, mas, a conviver e sobreviver. O projeto de Deus é um projeto de vida, seu reino é reino da vida, Jesus é a vida nova e sua missão é estar a serviço da vida. Ele mostra os caminhos da vida. 

Nona: diante da catástrofe ecológica, Jesus fala do cuidado que o Pai tem com as criaturas. Jesus fala das flores, dos pássaros, dos peixes, das árvores, dos astros, da choca e os pintinhos, das ovelhas. ''Tudo foi criado Nele, por Ele e para Ele''. Jesus ao consagrar o pão e o vinho, consagrou a beleza, o cuidado e a importância da criação. Sua encarnação e ressurreição dão fundamento para o cuidado para com a natureza. 

Décima: diante do subjetivismo, Jesus proclama a grandeza da fraternidade e da solidariedade, Ele lava os pés, perdoa seus algozes, prega a inversão da situação, acolhe os pecadores, combate injustiças, serve a todos. Jesus tudo faz para que nós vivamos como filhos de Deus Pai e como irmãos. Seus discípulos são formados para serem como servos, como crianças, como últimos e pequenos, humildes, Jesus é nossa esperança.

DOM ORLANDO BRANDES 
Arcebispo de Londrina

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