segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

“João Batista: a voz de quem grita no deserto”


 Prezados irmãos e irmãs:

Nesse domingo, a Liturgia continua a nos apresentar as três personagens bíblicas marcantes do Tempo do Advento: Isaías, João Batista e Maria, realçando a figura do segundo. E não é por acaso. Cada um deles é a própria expressão da vinda do Senhor. Espelhemo-nos neles, conforme suas características próprias. Isaias foi escolhido para ser o estimulador da fé do povo judeu, primeiramente à época em que houve a deportação daquele povo para uma terra estranha – Babilônia e, depois, no seu retorno à pátria, novos enfrentamentos.

Tempos difíceis aqueles! A fé num Deus salvador parecia desmoronar, não ser suficiente para suplantar os diversos problemas. Alguma semelhança conosco? Não nos deparamos com situações que não conseguimos resolver com nossos próprios meios, com nossa “tecnologia” e ciência “avançada”? Por vezes não apelamos para a superstição e misticismo, ao invés de fazê-lo a nosso Senhor? E quando essa fé fraqueja? Colocamos a culpa em Deus, achando que nos está impondo castigo? Isaias escreveu belíssimos textos que nos encorajam. Ele está sempre conosco. Entende nossa fraqueza, nossos sofrimentos, ampara-nos; sofre conosco.

João Batista é, de longe, exemplo de fortaleza, humildade e de justiça. Cumpridor das profecias de Isaías em preparar o caminho do Senhor. Afronta poderosos, sustenta os marginalizados e excluídos; batiza como motivo de conversão e penitência, anunciando um “Desconhecido” que será nosso libertador/redentor.

Homens se tornaram grandes santos, seguindo seus passos. Cita-se, como exemplo, Santo Ambrosio, cuja festa celebramos no último dia 07. Para se ter uma idéia de sua grandeza espiritual e intelectual, a conversão do não menos grande Santo Agostinho, deveu-se a ele. Vale a pena investigar suas vidas e aprender deles como amar as Escrituras, o próximo e o próprio Senhor Jesus.

Amigos, quantos adjetivos que vem de um verdadeiro filho de Deus. Jesus dirá posteriormente a respeito de João: “Em verdade, eu vos digo, entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. (cf Mt 11,11)”.

E nós? Como está nosso batismo? Como vivemos tão importante sacramento? Como evento social ou visando a inserção ativa na comunidade? Ousamos anunciar Cristo com nossos exemplos? Participamos de alguma atividade comunitária, quer seja caritativa, social, política?

Irmãos e irmãs, não desprezemos os ensinamentos catequéticos e muito importantes para a nossa fé, da nossa Igreja Católica, a Igreja sacramental, do pão repartido. Estamos nos apoiando em uma instituição, cuja comunidade tem uma caminhada de 2 mil anos, embora muitas vezes tropeçando, mas, sobretudo, sustentado pelo Espírito Santo. Vivamos de modo digno este Tempo do Advento, sem hipocrisias e adversidades. Intensifiquemos a leitura da Palavra de Deus.

Como escreveu Dom Orlando, nosso Pastor, não nos preocupemos excessivamente com as festas natalinas, nas suas performances relativistas. Não aguardemos um velho barbudo, símbolo de presentes materiais e do consumismo; mas vibremos de amor pelo Menino Jesus que vem; o Menino Jesus que nasceu pobre, embora fosse o Rei do Universo.

Sigamos as orientações de São Paulo, cuja leitura na íntegra podemos fazê-la a partir da Primeira Carta aos Tessalonicenses, “... Irmãos, estai sempre alegres. Rezais sem cessar. Daí graças em todas as circunstâncias. Examinai tudo e guardai o que for bom. Afastai-vos de toda espécie de maldade.” Não foi isso que fez Maria? “... A minha alma engrandece o Senhor; o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo...”

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo....

Até a próxima!

Padre John Raju Nerella
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz de Ibiporã

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