NATAL DO SENHOR
O Papa Bento XVI, em seu discurso aos jovens universitários de Roma, no último dia 15, disse: “São muitas as pessoas que em nossa época, especialmente aquelas que encontramos nas aulas universitárias, perguntam se devemos esperar alguma coisa ou alguém; se devemos esperar um outro messias, um outro Deus; se vale a pena confiar naquele Menino que na noite de Natal encontramos na manjedoura entre Maria e José.”
Qual a nossa resposta, irmãos e irmãs? Esperamos quem? O velho Noel, transformado em símbolo do consumismo exagerado? Aguardamos ansiosamente o comércio ser aberto à noite e termos mais tempos para gastar? Reparem como, na maioria das vezes, disfarçamos a fraternidade e corrompemos os laços familiares com bugigangas ou objetos quaisquer, fantasiados em presentes, que se prestam a satisfazer momentaneamente nossas alegrias. Desperdiçamos nosso tempo, não estabelecendo prioridades.
Por que não esperamos o Verdadeiro Ser, na forma de um menino pobre, envolto em faixas, deitado numa manjedoura, rodeado de amor, como somente a humildade e a simplicidade podem conceber?
É Natal do Senhor! Nasceu o Salvador! Vamos, irmãos! É Natal do Senhor!
Na oração da coleta (pronunciada pelo sacerdote celebrante logo após o glória) que rezamos na missa da noite (Vigília do Natal), expressamos nosso agradecimento a Deus, por celebrar noite tão santa, iluminada pela verdadeira luz. Mas queremos, também, vislumbrar a luz do Senhor em toda a sua plenitude na eternidade. Por isso pedimos.
“Hoje sobre nós resplandecerá uma luz porque nasceu para nós o Senhor”.
Esta é a antífona de entrada (saudação) que o celebrante dirige à assembléia, na Missa da Aurora do Natal do Senhor (logo pela manhã). Como são verdadeiras para o crente fiel e consciente de seu batizado cristão.
É isso, irmãos e irmãs! Jesus Cristo “nasceu”. Na verdade comemoramos mais um aniversário Seu. Ele está no meio de nós. Novamente sua luz nos ilumina. Dissipa nossas trevas. Arranca-nos o egoísmo e o individualismo. Faz-nos ver a realidade de um modo diferente; sob a paz, sob o amor, realçando nossa pobreza espiritual, derivada do afastamento recíproco. Mesmo para os céticos, podem acreditar. Não há quem resista à época natalina.
É tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca. É tempo de nos desarmarmos, valorizarmos a família como desejou no princípio o Criador. Que a paciência seja nosso alicerce. Que nossas preocupações, muitas vezes pequeninas, sejam deixadas de lado. Sejamos mais educados, cumprimentando-nos com mais frequência: dando-nos bom dia, boa tarde, boa noite, muito obrigado, com licença...
Fortaleçamos nossas lutas contra os malefícios que afligem a sociedade: corrupção, miséria, maledicências ... . Enfim, pratiquemos os 10 mandamentos como se fossem 1000.
Esforcemo-nos em praticar as virtudes, e então encontraremos o verdadeiro rosto de Cristo. Não o Cristo transformado em mercantilista ou investimento. Não o Cristo exposto em lugares onde se pratica a corrupção; onde os mais pobres não tem direito à justiça; em casas legislativas que criam leis injustas, discriminadoras e favorecedoras de grupos poderosos. Por que? Porque Jesus Cristo não abençoa estas “fraquezas humanas”.
Aquele que desceu até nós, pela nossa incapacidade de subir até Ele, encarnando-se no sacrário vivo, que é Maria, é a verdadeira paz e felicidade. Exultemos no Senhor!
Feliz Natal a todos!
Padre John Raju Nerella
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz de Ibiporã
Nenhum comentário:
Postar um comentário