quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Talentos: responsabilidades perante o Reino



Prezados irmãos e irmãs:

Refletiremos sobre uma das mais belas parábolas que Nosso Senhor proferiu aos seus discípulos àquela época e hoje, para nós. Trata-se da Parábola dos Talentos, descrita pelo evangelista Mateus. A palavra talento originariamente se referia à moeda e medida de peso no mundo grego antigo. Posteriormente incorporou-se à língua vernácula significando aptidão natural ou habilidade adquirida.

Em uma rápida leitura descobrimos que o Senhor propõe-nos reflexão sobre os esforços que empreendemos para cumprir a Sua vontade; isto é, fazer o bem em todas as suas nuances. A quantidade de “talentos” que recebemos Dele, prioriza nossa capacidade de assumir responsabilidades. Sem nunca deixar de nos amar, o Senhor sabe disso. Ele nunca colocará sobre nossos ombros fardos impossíveis de carregar.

Não é motivo para baixa estima receber “pouco talento”. Observem que o Senhor, na parábola, nos aponta as nossas capacidades positivas, “a cada um de acordo com sua capacidade”.

O que não podemos ter é preguiça, sermos acomodados e “mornos”, pois as atitudes das pessoas “mornas” tendem a ruir o bom conceito de comunidade. Como bem sabemos, participar de uma comunidade é partilhar os dons (graças = presentes) recebidos. Não o fazendo, estamos fadados ao egoísmo, à centralização, supremacia de poder e superficialidade nas relações.

Muitos irmãos e irmãs reclamam em suas consciências e para os outros que não detêm habilidade para determinados atos. Será que realmente não têm? Não está precisando se esforçar um pouco mais? Se espelharem naqueles que, apesar do pouco talento que possuem, realizam qualquer ação em prol da comunidade? Não nos menosprezemos. Por exemplo: “Não faço leituras nas missas, porque não leio bem ou tenho vergonha”; “Não faço parte daquele grupo de solidários, porque não tenho tempo – minhas ocupações particulares tomam-me o dia inteiro”; “Não faço trabalhos manuais, porque não levo jeito”.

Muitos outros exemplos poderíamos citar. No entanto, esquecemo-nos que é o Senhor quem nos capacita, principalmente quando apelamos para a humildade e Lho pedimos. Quanta alegria nos envolverá se ouvirmos elogios do “Patrão”, dizendo-nos o quanto fomos “produtíveis” na construção do Seu Reino. Não basta receber as graças e guardarmos para nós. Distribuamo-las; repartamo-las.

Não basta receber tarefas e não cumpri-las. O Senhor não as quer de volta, na mesma quantidade que nos deu. Quer que as multipliquemos em nossas vidas pessoais e comunitárias. Não sendo desta maneira, isto seria visto como um ato de infidelidade, não de servidão fiel, não de amizade. Reparem que o patrão da parábola “viajou”, deixou-nos sob nosso livre arbítrio.

Amigos e amigas, Deus quer que participemos de Suas alegrias: “Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria” (Mt 25,21.23).

Em suma, pratiquemos com liberdade, criatividade e segurança a fé recebida. Assim seremos administradores fiéis. Para coroar a nossa reflexão, o apóstolo Paulo nos alerta na segunda leitura, extraída da Primeira Carta aos Tessalonicenses: Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor vem como um ladrão, durante a noite. … Portanto, não durmamos, como os outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios.

Excelente semana a todos! Até a próxima!

Padre John Raju Nerella
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz de Ibiporã

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