O Prêmio Nobel da Literatura em 2010, Mario Vargas Llosa escreve que: ''A cultura não conseguiu substituir a religião porque é exatamente a religião que confere sentido e tranquilidade à existência''. Vargas Llosa afirma ainda que nossa cultura tornou-se um divertimento fácil, graças aos peritos incompreensíveis e arrogantes, fechados em gírias ininteligíveis, distantes anos luz do comum dos mortais que criticam a religião. Segundo ele, ''dizer que a religião vai desaparecer é uma superstição''.
Bento 16 tem repetido incansavelmente que sem Deus, construímos um mundo contra o homem. Não podemos renunciar à verdade, diz o Papa, e sermos reféns da ditadura da moda e da arbitrariedade. Uma cultura do divertido, dos desejos, das sensações é uma ''máscara do desespero e do vazio''. A religião quando autêntica combate o que é considerado normal, contradiz certezas tidas por infalíveis, dá coragem para a resistência. Não cabe à religião agradar, mas ajudar. Sem a religião acabamos vivendo do acaso ou do cálculo. Hoje há um ''envenenamento do pensamento'' que consiste na ruptura com Deus e na recusa de amar. A cultura do individualismo e da independência leva à incapacidade de amar. Sem Deus e seu amor, o progresso tem possibilidades de destruição.
Quantas vezes já passamos por esse ''horror da história'' que em nossos dias é a catástrofe ecológica, o paraíso diabólico das drogas, o terrorismo, devemos enfrentar os ''abismos da história''. A religião tem a obrigação de colaborar com a adesão à verdade e à defesa da liberdade. Isso requer humildade, abertura e respeito à consciência. A religião deve puxar para frente e para o alto, desvendar a beleza e a alegria que vem de Deus. A religião hoje pode ajudar inclusive na solução da crise econômica mundial, defendendo ''a capacidade comum de renúncia, a mudança de mentalidade e de estilo de vida''. Da religião, quando autêntica, podemos esperar algo de novo, ousado, generoso. O menor gesto de amor é mais forte que o potencial da destruição. A religião tem a missão de potencializar o amor.
As religiões precisam vencer suas fraquezas, buscar a conversão permanente, pedir perdão ao mundo pelos seus erros. Há religiões que são doentias, destrutivas, alienantes. É urgente a necessidade de purificação das religiões para que elas não prejudiquem a humanidade. Tudo o que isola o homem da verdade e do essencial pode tornar-se prejudicial, uma ''doença coletiva do pensamento''. Há muita sedução no mundo moderno que às vezes parece um manicômio onde criamos novas categorias do mal. A religião deve remar contra a maré.
A contribuição que a religião pode oferecer ao mundo moderno, não está no moralismo, mas, nos valores, na confiança em Deus, na beleza e alegria da vida, na abertura para com o diferente. Deus segura o mundo em suas mãos. Eis nossa alegria e segurança. A fé no amor de Deus torna a vida leve, bela, grande, livre e alegre. O amor e o bem trazem alegria e isso nos encoraja para o bem e para sempre recomeçar. A religião é indispensável.
DOM ORLANDO BRANDES
Arcebispo de Londrina
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