segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Jesus, rei do Universo

Palavra do Bispo Dom Orlando Brandes



 É preciso voltar a Jesus, colocá-lo no centro, dar-lhe primado, sintonizar com Ele e por Ele nos reencantar.

O último domingo do ano litúrgico é dedicado a Cristo Rei. A primeira coisa e a mais decisiva desta festa é: pôr Jesus no centro do cristianismo. Nada antepor a Cristo Jesus. Não existe outra felicidade, outra prioridade, outro tesouro para ser o humano. Jesus é o primeiro e o último, princípio e fim, a Ele a honra, a glória, o louvor. 

Colocar Cristo no centro significa dar primazia ao evangelho e ao primeiro mandamento. Jesus Cristo já é rei antes de nascer em Belém. Ele é o primogênito de toda criação. Ele é o fundamento de toda a realidade: ''Sem Ele nada foi feito'' (Jo. 1,3). Tudo foi criado por Ele e para Ele escreve o apóstolo Paulo. A carta aos hebreus diz que Jesus é o herdeiro de tudo. É preciso instaurar todas as coisas em Cristo. Ele é rei ''ontem, hoje e sempre''. 

Jesus é um rei diferente. Ele nasceu num berço pobre e na periferia. Viveu 30 anos o cotidiano da vida escondido em Nazaré. Esvaziou-se, abreviou-se, humilhou-se, se fez tão pequeno que coube numa manjedoura. Entra em Jerusalém montado num jumentinho, não num cavalo como faziam os reis e imperadores. Ele instaura seu reino entrando no mundo dos pecadores, dos doentes, dos pobres. Corrige abusos da religião e da política. 

Jesus é rei porque é filho de Deus, é o servo sofredor, é o cordeiro imolado, é o pastor crucificado, é o profeta executado na cruz como rebelde, blasfemo, maldito. Foi marcado para morrer desde quando começou a pregar o reino. Jesus, com sua conduta original irritou o poder religioso e político. Virou estorvo e ameaça, conflito e perigo. O povo, porém, louvava a Deus e se maravilhava com a força de sua palavra. Ele com as curas, o acolhimento dos pecadores, o perdão aos inimigos, a multiplicação dos pães, passou fazendo o bem. 

Quem faz a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, deixa-se conquistar por Ele, enche-se de assombro, fascinação, encantamento por sua pessoa, torna-se seu amigo e discípulo. Ele pode reinar na vontade, no pensamento, nos afetos, nas atitudes de quem o aceita e segue. Ninguém como Jesus tem poder de atração. Ele é o senhor, Ele é rei. É difícil aproximar-se Dele e não sentir-se fascinado por sua pessoa. Ele traz novos horizontes, e novas dimensões para o mundo. O contato com Ele leva-nos a deixar posturas rotineiras e postiças. 

Jesus é rei, tudo em todos. Os joelhos se dobram e as línguas confessam que Ele é o senhor. Os povos e nações nada perdem com Ele, pelo contrário, encontram a luz, a paz, a vida, a esperança, a verdade. Jesus liberta de enganos, medos, egoísmos que paralisam nossa vida. As bem-aventuranças constituem o coração do seu reino. Nada é mais importante do que conhecer, amar e seguir Jesus Cristo, rei do Universo. 

Jesus, o judeu da Galileia, o pobre de Nazaré, o filho amado do Pai, o profeta do reino, o homem da compaixão, o curador da vida, o defensor dos últimos, o amigo dos pecadores, o mestre da vida, o fundador do novo povo de Deus, o servo sofredor e fiel, o mártir do reino, o ressuscitado dentre os mortos, é nosso rei. É o rei do mundo. É preciso voltar a Jesus, colocá-lo no centro, dar-lhe primado, sintonizar com Ele e por Ele nos reencantar. Este reencantamento é o primeiro passo para proclamá-lo nosso rei. 

A ressurreição de Jesus é a razão ultima e a força avassaladora para o adorarmos como rei. Esta alegria o mundo não pode tirar. Ele é o rei da vida, da verdade, da justiça, da alegria, do amor e da paz. Ele é o amem, o vencedor que segundo o livro do Apocalipse vem montado, agora, num cavalo branco, é o juiz dos vivos e mortos. Portanto, diante deste rei, a morte perdeu, o diabo perdeu, o pecado perdeu, o império perdeu. O menino pobre e frágil de Belém é o leão de Judá, o rebento de Davi, o cordeiro glorioso, o vencedor. Vem senhor Jesus, maranatha. 

DOM ORLANDO BRANDES 
Arcebispo de Londrina

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