No momento em que escrevia esta reflexão, ouvia músicas do Padre Zezinho. Uma delas, muito famosa, por sinal, relacionava-se diretamente ao nosso tema: “Estou pensando em Deus, estou pensando no amor...”. Chamou-me a atenção, primeiramente pelo motivo de inspiração, depois, pela continuidade da canção que me serviu de paradoxo: “Os homens fogem do amor e, depois que se esvaziam, no vazio se angustiam e duvidam de você. Você chega perto deles, mesmo assim ninguém tem fé...”. Não nos parece contradição? Não aprendemos de nossa catequista que o Senhor nos preenche com Seu amor. Porque, então, muitas vezes O renegamos?
O texto do evangelho que ouviremos nas celebrações eucarísticas do próximo domingo, retirado do Livro de João ou Evangelho de Jesus Cristo segundo João, e que poderíamos apelidá-lo carinhosamente de “Memorial do Amor”, retorna-nos a lição aprendida em nossa infância. Jesus, ali, transborda de sentimento mais puro. Após nos dizer que, sem permanecer com Ele, a Videira, nós, os ramos, não produziríamos frutos, agora somos estimulados a amar, imitando-O, da mesma forma que o Pai O ama.
Sabemos, é claro, que o nosso “amor” é apenas uma centelha do do Pai, assim como nossa fé é menor que um grão de mostarda. Mas Jesus nos ordenou: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Quem sabe cumprindo o que Ele mandou, nós evoluamos? Nossa humanidade poderá ser semelhante à Dele? Vale a pena reler o hino ao Verbo, presente na Carta aos Filipenses, capítulo 2, 1-11. Aquele texto descreve em poucas palavras e magnificamente, a essência da pessoa, do sentimento e o pensamento de Cristo Jesus.
Jesus nos revelou o Deus de Amor, da misericórdia, do perdão, que não conhece fronteiras e exclusões. A Primeira Leitura (Atos dos Apóstolos) apresenta-nos estas características de maneira concreta. O batismo foi dado a pagãos e o Espírito Santo “desceu” sobre eles: “Ele aceita quem O teme e pratica a justiça (amor), qualquer que seja a nação” ( At 10, 35).
Dessa forma, cabe a nós, mediante esse ensinamento, abandonar os preconceitos que ainda habitam em nós. Vivemos em diversidade; somos diferentes quanto ao sexo, raça, cor, religião, política, economia, tradições, etc. Contudo, o Amor é único e Sua intenção é nos unir: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. (João 17,21)
Não com a razão, e sim com o coração, perguntemo-nos: Por que Deus enviou seu Filho único até nós? Por que permitiu que Ele sofresse até a morte de cruz? Eis a resposta, irmãos e irmãs: Não foi por condescendência, por piedade de nossa miséria. Não! Foi tão somente por AMOR, a ponto de sermos chamados Seus filhos. Ele impôs alguma condição? Somente uma: que rompamos com o pecado; pois pecado é ausência de justiça, solidariedade, partilha, comunhão, relacionamento.
Amigos e amigas, o pecado impede a convivência em família, em grupo, em comunidade. Não é fácil nos livrarmos dele. Sozinhos não podemos. Através da oração, conjugada com a administração dos sacramentos, coroada pela misericórdia divina, conseguiremos. Assim, desapegados de nossa concupiscência, de nossas obsessões e vícios, entenderemos que a verdadeira liberdade provém do amor.
“Quem não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.”
Até a próxima!
Padre Delcides André de Souza / ERS
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz de Ibiporã
Nenhum comentário:
Postar um comentário