Nascituro é o ser humano, já verdadeira pessoa e verdadeiro filho, desde o momento da fecundação. Daqui em diante, irá se desenvolver até nascer. É o mesmo ser que vai passando por diversas fases de crescimento. Todos nós somos o que foi aquele ser inicial que chamamos de ovo, feto, embrião, nascituro. Esse ser humano inicial que é um filho, é uma nova vida, que tem igual dignidade à vida do pai e da mãe. Ainda mais, é inocente, indefeso com direito de nascer. O útero é sacrário da vida, ninho e santuário da vida.
Inicia-se na fecundação o ciclo vital de um novo sujeito humano, um portador já agora de identidade própria, programa e orientação codificada da vida, com potencialidades próprias para desenvolver, nascer, viver, envelhecer e chegar ao seu fim natural. Esse indivíduo é sempre pessoa, sempre filho. É assim que se iniciou a vida de tantos cientistas, políticos e governantes que hoje a tiram de quem tem direito de nascer, sabendo que se alguém tivesse destruído sua célula tronca, jamais teriam nascido.
O feto (embrião) não é um amontoado de células, nem simples produto genético, por isso, não é material descartável. Esse ser inicial, esse filho fecundado, tem coordenação própria para crescer, nascer, sobreviver. Tem continuidade e identidade, portanto, será sempre o mesmo e idêntico indivíduo humano que teve início na fecundação. No seu ciclo de desenvolvimento não sofre nenhum salto qualitativo. É sempre o mesmo ser que se desenvolve e cresce. É alguém amado por Deus e chamado à vida.
A vida humana assim tão prodigiosa é fruto da ação e sabedoria criadora de Deus. O direito à vida é um bem primário e fundamental em qualquer fase ou condição em que se encontra. Eis a inviolabilidade da vida que não pode ser instrumentalizada, violada e destruída, mas, sempre defendida. Eis a dimensão do mandamento 'Não matarás' (Ex.20,13). O ser humano deve ser respeitado e tratado como pessoa, desde a sua fecundação. É um ser frágil, inocente, digno, com direito à vida porque somos chamados a ser 'filhos de Deus'. A vida humana deve ser amada por si mesma, independente da idade, saúde, beleza, inteligência.
A vida de um ser humano é única original, digna, sagrada. Por isso mesmo, fazemos todo empenho em apoiar as mães grávidas, em adotar bebês e adultos, em proteger os recém-nascidos, em colaborar com os pais na criação e educação de seus filhos. Temos a Pastoral da criança, do menor, do habitante de rua. Tudo isso é responsabilidade pela vida, portanto, cultura da vida. Nossa Pastoral dos viúvos e viúvas, Pastoral da pessoa idosa, nossos centros de defesa e proteção da vida são uma comprovação do valor, dignidade e sacralidade da vida. Hoje o mundo protege ovos de tartaruga, faz leis contra a palmada, condena com rigor a pedofilia, mas, destrói a vida do nascituro.
Em nome da modernidade descriminaliza o aborto. Precisamos ser amigos da vida, mas, desde o seu início na fecundação. Por isso, festejamos o Dia do Nascituro, cuja data celebramos neste 8 de outubro. Tudo o que fazemos em defesa do meio ambiente tem por finalidade o zelo pela vida humana, o cuidado pelas futuras gerações. Tudo isso requer uma mudança de mentalidade e de estilo de vida, ou seja, não depredar nossa casa comum, a mãe terra, e não destruir a vida nascente.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
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