quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Esperança missionária

Palavra do Bispo Dom Orlando Brandes 
Outubro é o mês missionário, que neste ano se caracteriza pela canonização de D. Guido Conforti fundador dos Missionários Xaverianos. A grande esperança que temos em relação à missão é que a Igreja viva num 'estado permanente de missão'. Para alcançar tal expectativa é preciso divulgar e incutir em todos os setores da Igreja um espírito missionário, que leve a uma consciência missionária e a uma mentalidade e espírito missionário. Eis nossas esperanças missionárias.

1. A Leitura Orante da Bíblia. A Palavra inflama o coração, forma discípulos, apaixona por Jesus e pela salvação do mundo. A animação bíblica fará crescer a Igreja Missionária. A Palavra tem o poder de missionarizar os cristãos, pois, só os evangelizados evangelizam. Para acontecer uma Igreja em estado permanente de missão, faz-se necessário uma mobilização bíblica. O missionário é portador, embaixador, profeta da Palavra. Sem a Palavra a missão se esvazia.

2. Visitação permanente. A visitação é o segredo da missão permanente. É uma pedagogia usada por Maria, Jesus, Paulo e os grandes evangelizadores. Ir às casas, igrejas, pé na estrada, bater nas portas. Eis a missão corpo a corpo, de casa em casa. Somos a Igreja que vai, a Igreja do 'ide e anunciai'. O primeiro passo da missão é sair de si de casa, da família. O novo Testamento cita 120 vezes a palavra 'casa'. Com a visitação se perpetua a missão e surgem os grupos de reflexão.

3. Os espaços vazios. Quem tem coração missionário, enxerga e se comove com os espaços vazios: prédios, escolas, universidades, condomínios e o além- fronteiras. Ocupemos os espaços vazios. Não sejamos cegos, omissos, parados, engessados, imobilizados. Espaço vazio é ainda o coração humano, a família, a cultura moderna. Eis a urgência da missão, que requer ousadia e audácia, ímpeto e criatividade. São tantos e novos os 'átrios dos gentios' que é preciso alcançar.

4. Olhar os de fora. Não basta a pastoral da manutenção, da conservação, mas buscar, a conversão pastoral, olhar os de fora, os afastados e os sem-religião. Uma paróquia que se comove com os de fora, fará um plano paroquial de pastoral para além das suas estruturas. A missão está ainda no começo. Como Precisamos muito de informação, formação, cooperação, articulação missionária. Quem olha para os de fora, olha para o além-fronteiras. Para ser uma Igreja missionária devemos superar a 'Igreja dos cargos, da burocracia, do ritualismo, das construções', e abrir o coração para a perseguição o martírio, como consequência da missão.

5. A iniciação cristã. O cristianismo não começa com uma grande ideia, nem com uma alta moral, mas com um encontro pessoal, uma experiência transformante, um acontecimento vital. Iniciação cristã é antes de tudo, encantamento, fascinação, arrebatamento por Jesus Cristo, o seu evangelho e o seu reino. É uma experiência religiosa irradiante, transformante, viva, decisiva que leva a abandonar o velho estilo de vida e viver a vida nova em Cristo, com alegria, com profundidade, com envolvimento eclesial, litúrgico e missionário.

6. A paróquia missionária. A secretária paroquial não é apenas funcionária, mas missionária. Ela é o primeiro rosto da paróquia. Padrinhos, ministros, catequistas, lideranças devem ter coração e alma missionária. Uma paróquia para ser missionária precisa criar e manter os pequenos grupos, realizar missões populares, convocar os movimentos e pastorais para serem forças missionárias. Missão é a resposta que temos para o problema da secularização, dos afastados, de evasão dos fieis. 'Amiga mediocridade'. Longe de nós a apatia, omissão, a mentalização. Uma paróquia missionária investe na comunicação social.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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