segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Papa e Lutero


Palavra do Bispo Dom Orlando Brandes

O Papa Bento XVI iniciou na última quinta-feira a sua terceira viagem apostólica à Alemanha. Dessa vez o centro da visita é a cidade de Erfurt à qual Martim Lutero esteve muito vinculado.
Na ocasião a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial irão assinar uma Declaração conjunta em comemoração aos quinhentos anos da publicação das 95 teses de Lutero. O foco dessa viagem do Papa é ecumênico. Em 1983 a Comissão Católico-Luterana publicou uma Declaração Ecumênica sobre a pessoa e a obra de Lutero que vamos agora conhecer. São seis pontos de reflexão, a saber:
1. Lutero em seus escritos e pregação, expressa uma profunda experiência de Deus. Sua maior descoberta é que “o justo vive de fé (Rm 1,17) e da misericórdia de Deus. O apelo luterano à reforma da Igreja é um convite á conversão, à escuta do Evangelho do qual a Igreja tinha se afastado.
2. Lutero nunca teve a intenção de fundar uma nova Igreja nem queria separar-se da Igreja Católica. Foram as circunstâncias, que atropelaram os conflitos e provocaram a ruptura. As idéias de Lutero foram recebendo ao longo da história numerosas distorções e simplificações abusivas, tanto no catolicismo como no protestantismo.
3. Hoje, percebemos um intenso trabalho de revisão das idéias e da pessoa de Lutero. Não se trata de “catolicizar Lutero”, mas de compreender seu ideal de reformador. “Bem falou o cardeal Willebrands, diz a Declaração, quando afirma: Lutero procurou viver honestamente e com abnegação a mensagem do Evangelho”.
 
4. Como teólogo, pregador, pastor, compositor de hinos e homem de oração, Lutero apela à primazia da Palavra de Deus na vida, ensino e serviço da Igreja. Prega a confiança absoluta na misericórdia divina, compreende a graça como uma relação pessoal entre Deus e o homem.
5. Tanto luteranos como católicos são hoje conscientes dos limites da pessoa e das obras de Lutero: seus ataques polêmicos, seus escritos contra judeus, sua consciência apocalíptica em relação ao papado, ao movimento anabatista e à guerra dos camponeses e outras condenações inaceitáveis.
6. Em síntese, afirma a Declaração, citando novamente o cardeal Willebrands: “Lutero pode ser nosso mestre comum na afirmação de que Deus deve ter o Primeiro lugar em nossa vida e que nossa resposta humana deve ser a confiança absoluta e a adoração de Deus’’. A quem reza e medita é revelada pelo Espírito Santo a misericórdia de Deus”, dizia Lutero.

Portanto, está superada aquela visão de que Lutero era um herói para uns e herege para outros. Uns fizeram dele um santo, outros um demônio rebelde. Estão acabando as lendas e se impõe hoje um ‘’ respeito critico ‘’.

“Não se trata de uma ‘‘catolização de Lutero”, mas de uma compreensão histórica mais justa, sobre sua pessoa e sua obra que favorece o ecumenismo. A visita apostólica de Bento 16 a Erfurt quer ser um estimulo à unidade dos cristãos.

A visita apostólica de Bento XVI a Erfurt quer ser um estimulo à unidade dos cristãos. Desde o Concilio Vaticano II o ecumenismo é prioridade. Vamos celebrar os 50 anos do Concílio, estamos dando passos muito lentos em relação á unidade dos Cristãos. Viver o ecumenismo é colaborar com a união dos povos. Se formos unidos o mundo crerá
                       
 Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

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