domingo, 6 de fevereiro de 2011

Reinicio das Aulas

Ensinar é um ato de amor. A sala de aula é como um útero gerador de personalidades para a nova família que é a sociedade. O centro, o coração da escola, portanto, o coração é o aluno, mas, a alma é o professor. Ambos precisam do apoio, valorização e colaboração de todos nós. Professor deve 'gostar de aluno' e cabe ao estudante colaborar com o professor. São parceiros e aliados na grande missão de transformar a realidade pela educação.

Escola é lugar de civilização e sala de aula é uma comunidade, uma família de aprendizagem, onde os educadores são pais de seus alunos. Por isso, os motivam, inspiram, orientam, influenciam. Um educador ensina pela competência e pelo caráter, ou seja, repassa valores, dá testemunho da verdade e do bem, forma a consciência. Não basta educar para ganhar a vida, mas para 'ser mais', para viver autenticamente.

Grande parte do que somos na vida, depende da escola. Isso nos leva a superar toda mediocridade e oferecer a formação integral do ser humano. A educação segue o trilho do amor e da exigência, da afetividade e da disciplina, do coração e da razão. Quanto mais tivermos boas escolas, teremos menos prisões e cadeias.

A arte de educar consiste em saber encantar e motivar o aluno para o estudo, dar sabor ao saber. Quanto mais sábio é o professor tanto mais fala com clareza e simplicidade. De nada valem palavras pomposas, mas vazias. Um educador verdadeiro sempre está se atualizando, crescendo, cultivando, pois quem ama educa. É grande demais a missão de ensinar. Os maiores benfeitores da sociedade são os professores.

Nossos alunos chegam à escola cada vez mais feridos, estressados, desmotivados. Leem pouco, escrevem mal. Estão massificados, condicionados e doutrinados pela mídia. Chegam informados de mil coisas. Assim uns são folgados, outros acomodados, enfim, todos são vítimas da desestruturação familiar e da sociedade consumista. O educador saberá encontrar o bem, a luz, o tesouro escondido neles. Eis o valor da inteligência emocional. Sem amor, sacrifício e alegria não há educação. O educador é um parteiro da nova sociedade. Ele faz do aluno um filho, um amigo, um cidadão.

Por outro lado, precisamos 'cuidar dos que cuidam'. Família, governo, religiões devem estender a mão aos professores. Eles têm o direito de receber apoio dos pais, dos colegas professores, da direção da escola e a mais justa remuneração dos governos. Escola diz respeito a todos nós, envolve toda a comunidade. Da educação esperamos a regeneração da sociedade. A educação é um verdadeiro sacerdócio, portanto, professor não é empregado nem babá do aluno. Oito mãos ajudam a educar: as do pai, da mãe, do aluno e do professor. Demo-nos as mãos. Educação não se delega para o professor. Todos somos coformadores, sem esquecer que o ambiente da escola e da sociedade também educam.

O aluno tem direitos e deveres. Direito a um tratamento justo, à lição bem preparada, ao acesso ao conhecimento, ao bom exemplo dos mestres, etc. Dentre os deveres destacamos: o dever de estudar, de ter compromisso com a escola, de respeitar os outros e ajudá-los, de colaborar com os professores e colegas. Educação é coisa sagrada.

A volta às aulas é uma oportunidade que nos é dada para fazer da escola um laboratório, mais ainda, um santuário onde se procura e cultua a verdade, a liberdade, o amor e a justiça que são os pilares da sociedade justa, solidária e fraterna. Jamais se deve facilitar a mediocridade, pelo contrário, estimular o amor à leitura e o desejo de saber mais para ser mais. O hábito de 'colar' deve ser exorcizado porque é prejuízo para todos.

Bons anjos da escola são os funcionários e a direção, pois na verdade a gente não é só funcionário, mas, missionário, ou seja, colaborador da educação.


DOM ORLANDO BRANDES 
Arcebispo de Londrina 



FONTE: Paróquia Nossa Senhora da Paz - http://www.senhoradapaz.org.br/palavrabispo20110205.html

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